Com o tempo, a Disney passou a se arriscar mais em suas produções, revivendo clássicos em versões live-action e apostando em animações com temas mais maduros.
Mesmo assim, por mais que tudo seja cuidadosamente planejado, alguns detalhes acabam fugindo da lógica ou simplesmente não fazem muito sentido dentro daquele universo mágico que o estúdio criou.
Peter Pan virou o verdadeiro vilão da sua própria história
Começando por uma das transformações mais estranhas. Em “Peter Pan & Wendy” (2023), o garoto travesso deixa de ser apenas o herói da Terra do Nunca para assumir um papel mais indefinido, quase como um vilão.
Acontece que o longa revela que o Capitão Gancho, seu arqui-inimigo, na verdade foi seu melhor amigo no passado. Inclusive, a briga entre os dois não começou por pura rivalidade, mas sim porque Gancho, ainda criança, sentiu saudades da mãe e decidiu sair da Terra do Nunca.
Dessa forma, a imagem do menino alegre que não queria crescer acaba ganhando tons sombrios de alguém que pune até mesmo seus amigos por desejarem algo diferente.
A rivalidade entre Scar e Mufasa foi motivada por amor
Seguindo para o mundo animal de “O Rei Leão”, a versão atualizada da história que foi explorada em “Mufasa: O Rei Leão” (2024) introduziu uma motivação romântica para o ódio entre os dois irmãos.
Dessa vez, Scar,que originalmente se chamava Taka, aparece como alguém que se apaixonou por Sarabi, justamente a leoa que mais tarde escolheria Mufasa como parceiro. Só que, ao perceber que seus sentimentos não eram correspondidos, o ressentimento tomou conta e virou rancor.
Portanto, a briga pelo trono agora também é uma briga de coração partido.
Cruella perdeu sua obsessão por peles
Em “Cruella” (2021), a personagem que por décadas foi conhecida pelos maus-tratos a animais surge como uma aspirante a estilista rebelde e simpática. Essa nova versão, interpretada por Emma Stone, quase não menciona sua obsessão por casacos de pele, que era o traço mais marcante da personagem em 101 Dálmatas.
Até mesmo na cena em que ela finge ter feito roupas com pele de cães para provocar sua rival, o filme deixa claro que tudo não passou de uma encenação, como se quisesse suavizar a imagem da personagem diante do público.
Elsa tem poderes que vão além da neve
Quando “Frozen” estreou em 2013, Elsa ficou imediatamente reconhecida como uma das personagens mais poderosas do universo Disney. Mas o que começou como um controle sobre gelo e neve rapidamente evoluiu para algo muito maior, mas bem confuso.
Em “Frozen II”, por exemplo, ela passa a criar criaturas com vontade própria, roupas que surgem do nada e até reconstrói ambientes inteiros com um simples gesto. Olaf, por exemplo, é um boneco de neve que fala, pensa e tem muitas emoções.
Portanto, fica a dúvida: afinal, Elsa é uma maga, uma deusa ou simplesmente um personagem com poderes ilimitados?
Ariel manobra um navio, mas não sabe usar um garfo
O live-action de “A Pequena Sereia” (2023) trouxe várias mudanças positivas, como, por exemplo, mais detalhes na relação entre Ariel e Eric. No entanto, um detalhe chamou bastante a atenção.
Na batalha final contra Úrsula, quem manobra o navio para derrotá-la é a própria Ariel, uma personagem que, até pouco tempo antes, não sabia sequer o nome de um garfo.
Aliás, a decisão dar poder a protagonista é compreensível e bem-vinda, mas a lógica da história acabou sendo deixada de lado.
Afinal, como alguém que mal conhece o mundo humano consegue pilotar um navio daquele tamanho sem qualquer ajuda?
Matangi poderia ter sido uma grande vilã, mas foi esquecida
Por fim, em “Moana 2” (2024), os fãs foram apresentados à personagem Matangi, uma figura que parecia ter tudo para se tornar uma grande vilã. Forte e cheia de presença, ela surge como uma ameaça real… até mudar de ideia e ajudar os protagonistas.
Essa reviravolta acontece tão rápido que parece um desperdício de potencial. Sendo assim, o que poderia ser um momento musical poderoso se transforma em uma simples troca de diálogo.
No fim, fica a impressão de que a Disney desperdiçou uma boa oportunidade de apresentar uma nova vilã à altura das clássicas.
