Ice Cube em "Guerra dos Mundos" (2025) - Foto: Reprodução

O pior filme de 2025? ‘Guerra dos Mundos’ ganha adaptação moderna e amarga 4% de aprovação

O novo “Guerra dos Mundos”, lançado em 30 de julho de 2025, tinha a missão ambiciosa de reinventar a obra clássica de H. G. Wells com uma visão mais moderna, centrada em tecnologia, vigilância e privacidade. Porém, o que era para ser uma experiência cinematográfica ousada virou motivo de piada nas redes sociais e alvo de críticas severas da imprensa especializada. No Rotten Tomatoes, por exemplo, a produção amarga uma pontuação de apenas 4% no Tomatômetro (com 45 críticas), o que a garante no topo da lista de piores filmes do ano.

A ideia era mostrar a invasão alienígena sob uma nova perspectiva, toda contada pela tela do computador de Will Radford (interpretado por Ice Cube), um funcionário do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. A estética adotada foi a do “screenlife”, já usada em filmes como “Buscando…” (2018), que simulam a experiência de acompanhar os acontecimentos em tempo real por dispositivos eletrônicos. Mas, no caso de “Guerra dos Mundos”, essa escolha se tornou um dos principais alvos de crítica.

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Elenco de peso não foi suficiente

Apesar de contar com nomes conhecidos como Eva Longoria, Clark Gregg e Iman Benson, o filme falha em gerar empatia e tensão. Os diálogos soam artificiais, os efeitos visuais deixam a desejar e a trama acaba diluída pela limitação de mostrar tudo apenas por monitores. A direção de Rich Lee e o roteiro assinado por Marc Hyman e Kenny Golde não conseguiram unir os elementos de forma coerente.

Parte do público apontou que a produção, filmada ainda durante a pandemia de COVID-19, parece mais um experimento apressado do que um longa com estrutura sólida. A ambientação em tela dividida e o uso constante de dispositivos eletrônicos criam uma barreira que impede o espectador de se conectar com os personagens, especialmente em momentos que exigem impacto emocional.

“Guerra dos Mundos” (2025) – Foto: Universal Pictures/Reprodução

A defesa do produtor e o “sucesso” no streaming

Em entrevista ao Toni’s Film Club, o produtor Patrick Aiello saiu em defesa do projeto. Segundo ele:

“Ninguém levanta da cama para ir ao trabalho por 12, 14, 16 horas por dia, algumas vezes, 6, 7 dias por semana no nosso caso, para fazer algo ruim. Nós estávamos apenas tentando entreter. É uma pena que o filme foi detestado, ou um grupo detestou, ou apenas foram na onda [tradução livre]. Nós não temos controle sobre isso.”

Inclusive, a aparente popularidade do filme, que conta com mais de 2.500 avaliações de usuários no Rotten Tomatoes, levanta uma questão curiosa: seria o sucesso de visualizações um reflexo do hype negativo? Afinal, muitos usuários assistiram ao longa apenas para entender por que ele estava sendo tão criticado. Nesse sentido, a repercussão negativa pode ter funcionado como um motor de audiência, mesmo sem representar aprovação de fato.

Entre erros técnicos e falta de emoção

Para quem esperava uma obra de ficção científica inovadora ou de impacto, o resultado foi frustrante. A ausência de cenas grandiosas, somada a um uso repetitivo de janelas de bate-papo, videoconferências e mensagens de texto, cansa rapidamente. O conceito até tinha potencial, mas faltou polimento, timing e, principalmente, emoção genuína.

A ambientação de “Guerra dos Mundos”, na tela de dispositivos eletrônicos, não agradou (Foto: Reprodução)

“Guerra dos Mundos” até traz reflexões contemporâneas, porém elas aparecem de maneira superficial. A escolha de centralizar tudo na figura de Will Radford limita a dimensão da ameaça alienígena, que fica em segundo plano diante dos monólogos cansativos e das tentativas forçadas de criar tensão por meio de múltiplas abas de computador.

Os bons nomes no elenco e a proposta original não foram suficientes para que a execução acompanhasse a ambição. E é justamente por isso que, até o momento, “Guerra dos Mundos” é considerado o pior filme de 2025. Infelizmente, boas intenções e ideias diferentes não garantem uma boa experiência cinematográfica.

Se você ficou curioso, o filme segue disponível no Prime Video. Mas já vá preparado, já que o que começa como ficção científica, termina como um grande experimento que não deu certo.

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Publicado por

Caio Póvoa

Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Goiás. Possui também título de Mestre em Engenharia Elétrica e de Computação pela Escola de Engenheira Elétrica, Mecânica e de Computação-EMC UFG. Por meio da escrita, compartilha conhecimentos e orientações práticas com foco em cultura geek, áreas da ciência, tecnologia e temas relacionados.

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