"Stranger Things" (Netflix/Divulgação)

Afinal, vale a pena assistir “Stranger Things” em 2025? Nosso veredito!

Poucas são as séries que conseguem mobilizar tanta gente ao redor do mundo, e “Stranger Things“, sem dúvidas, é uma delas. Lá se vão quase dez anos desde sua estreia, em 2016, e já naquela época a produção da Netflix virou imediatamente assunto em rodas de conversa, redes sociais e até nas estantes das lojas, com brinquedos, camisetas e jogos inspirados na série.

Hoje, a saga está prestes a chegar ao fim, com a quinta e última temporada, que será lançada em três partes ao longo das festas de fim de ano de 2025. A primeira parte estreia em 26 de novembro, a segunda em 25 de dezembro, e o episódio final chega em 31 de dezembro. Então, a dúvida que fica, nessa altura do campeonato, é: ainda vale a pena começar a assistir ou revisitar os episódios anteriores?

Para responder, é importante entender o que faz essa série manter o interesse mesmo depois de quase uma década no ar.

Enredo simples na ambientação retrô dos anos 1980

Tudo começa com o desaparecimento misterioso de um garoto chamado Will Byers na pacata cidade fictícia de Hawkins, Indiana. A partir desse momento, um grupo de amigos se envolve em uma busca que vai bem além do que conhecemos no mundo normal. No caminho, surgem segredos do governo, experimentos esquisitos e uma dimensão paralela chamada Mundo Invertido.

“Will Byers”(Noah Schnapp) – Foto: Netflix

No centro de tudo está Eleven, uma garota com poderes mentais que foge de um laboratório e acaba encontrando acolhimento entre os meninos.

“Eleven” (Millie Bobby Brown) – Foto: Netflix

Em vez de apostar em sustos fáceis, a série trabalha um clima permanente de mistério e suspense, interrompidos volta e meia por momentos cômicos proporcionados pelo seu elenco carismático. Momentos esses que ficam mais escassos, conforme a série toma rumos mais sombrios ao longo das temporadas.

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Carisma e química entre personagens

A trama pode até começar de forma simples, mas ganha força à medida que os personagens crescem e amadurecem dentro da história. A cada temporada da série, nos aprofundamos um pouco mais nos laços entre eles e nos desafios que precisam enfrentar, sejam eles questões pessoais de um adolescente comum ou planos para “salvar o mundo”.

Em “Stranger Things”, fica claro desde o início que, mesmo com as inúmeras ameaças sobrenaturais, o verdadeiro foco está na relação de amizade e confiança construída entre os protagonistas, que se mostram unidos mesmo diante de situações extremas. E é justamente esse equilíbrio entre o sobrenatural e a vida cotidiana dos jovens que dá ritmo e consistência à obra, mantendo os episódios interessantes por diferentes motivos.

Nesse aspecto, sem dúvidas, um dos grandes trunfos da série é o elenco. Os jovens atores como Millie Bobby Brown, Finn Wolfhard e Gaten Matarazzo começaram como crianças desconhecidas lá na temporada de estreia, mas ganharam o carinho do público logo nos primeiros episódios. A química entre eles funciona muito bem, com diálogos que fluem de maneira natural, divertida e com a leveza necessária para quebrar os momentos de tensão da produção.

Noah Schnapp, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Sadie Sink, Caleb McLaughlin (Foto: Netflix)

Além do grupo principal, os adultos também ganham espaço ao longo das temporadas. Winona Ryder, por exemplo, dá vida à determinada Joyce Byers, enquanto David Harbour interpreta o chefe de polícia Hopper, um dos personagens mais queridos da série.

Winona Ryder (“Joyce Byers”) e David Harbour (“Hopper”) – Foto: Netflix

Ambientação retrô

O que atraiu de imediato a atenção do público foi a ambientação retrô de “Stranger Things”. Na série, cada detalhe transporta o espectador para os anos 80. Dos pôsteres nas paredes aos móveis das casas de Hawkins, tudo reflete esse período que marcou gerações e que alimenta a nostalgia até mesmo de quem não o viveu.

A trilha sonora com sintetizadores e canções da época é peça-chave para criar esse clima. Faixas como “Should I Stay or Should I Go” do The Clash e “Running Up That Hill” de Kate Bush são alguns dos maiores símbolos desse elo entre série e música.

Mas, para além do visual e da música, a época aparece no comportamento dos personagens. Crianças em bicicletas pelas ruas, tardes em fliperamas, brincadeiras sem telas e curiosidade por experiências científicas compõem um cotidiano mais simples e ao mesmo tempo cheio de descobertas.

“Stranger Things” (Foto: Netflix)

Todos esses elementos criam familiaridade para quem viveu os anos 80 e despertam curiosidade em quem conhece o período apenas por filmes. Essa camada nostálgica é, sem sombra de dúvidas, parte essencial e indissociável da identidade da série.

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Mas nem tudo são flores…

Mesmo com o sucesso acima da média, “Stranger Things” não escapa de críticas bastante válidas, apontadas por fãs e críticos nos últimos tempos. Entre as principais, a irregularidade na qualidade das temporadas é uma das mais frequentes. Alguns momentos da história se estendem além do necessário e diluem o ritmo, especialmente quando a série tenta manter a tensão sem renovar a história.

“Stranger Things” (Foto: Netflix)

A terceira temporada é meio que um símbolo desse desgaste criativo. A estética exagerada dos anos 80 foi vista por alguns como repetitiva e sem inovação. A mistura de referências e humor exagerado fez com que a narrativa parecesse menos cuidadosa quando comparada às duas primeiras temporadas.

Outro ponto recorrente diz respeito à previsibilidade da trama, já que, para parte do público, eventos grandes ou soluções dramáticas se tornaram fáceis de antecipar, o que enfraquece o impacto. Junta-se a isso críticas que apontaram enredos repetitivos e arcos previsíveis para personagens novos ou antigos.

Também há críticas sobre ritmo e fôlego da série. Afinal, o tempo entre as temporadas cresceu excessivamente ao longo dos anos e deixou muitos espectadores frustrados com a demora para acompanhar o desfecho da história. Apenas 34 episódios em nove anos alimentam reclamações sobre cadência lenta e falta de consistência na programação.

Vale ou não vale?

Para quem nunca assistiu, começar agora pode ser sim uma ótima escolha. As quatro temporadas já disponíveis permitem aproveitar a história sem a longa espera enfrentada pelos fãs originais, o que sana um dos pontos de crítica já mencionados aqui.

E, para quem já acompanhou tudo, revisitar os episódios pode ser interessante como preparação para a reta final. Afinal, a quinta temporada foi anunciada como o encerramento de todas as linhas narrativas e deve amarrar pontos soltos que ficaram pelo caminho. Só que, com tanto tempo desde o lançamento da quarta temporada, pode ser necessário revisitar a história para recordar alguns pontos que precisam de solução.

Não podemos ignorar que, mesmo com críticas sobre repetição e demora entre as temporadas, a série conquistou com justiça um espaço especial na cultura pop. Fez com que músicas voltassem às paradas de sucesso, inspirou moda, brinquedos e debates nas redes sociais. E nada disso foi por acaso!

Assim, a resposta à pergunta inicial é um grande SIM. A série não é perfeita, mas entrega diversão, sustos na medida certa e um universo próprio que ainda encanta e desperta curiosidade. “

“Stranger Things” continua sendo uma experiência divertida e, em muitos momentos, emocionante de acompanhar. Quem entrar agora terá a chance de assistir do início ao fim sem grandes interrupções, acompanhando personagens que cresceram junto com o público e uma história que, com altos e baixos, conseguiu garantir seu lugar na memória coletiva.

Publicado por

Caio Póvoa

Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Goiás. Possui também título de Mestre em Engenharia Elétrica e de Computação pela Escola de Engenheira Elétrica, Mecânica e de Computação-EMC UFG. Por meio da escrita, compartilha conhecimentos e orientações práticas com foco em cultura geek, áreas da ciência, tecnologia e temas relacionados.

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