7 aberturas mais icônicas e marcantes da história do cinema

Selecionamos algumas das aberturas de filmes que fizeram história no mundo do cinema.

| Em 25/09/2025 18:02

2001: Uma Odisseia no Espaço (Foto: MUBI/Reprodução)

Algumas produções conseguem fisgar o público logo nos primeiros minutos e transformar suas aberturas em momentos eternizados na memória coletiva. Uma música inesquecível, um corte ousado ou uma cena de arrepiar são detalhes que esses filmes usam para mostrar que o começo pode ser tão poderoso quanto todo o resto.

Entre suspense, terror, ficção científica e dramas urbanos, selecionamos as sete melhores aberturas de filmes, que mudaram o jeito de contar histórias no cinema e ainda hoje servem de referência para diretores do mundo inteiro.

Tubarão (1975)

Steven Spielberg sabia que não precisava mostrar tudo para assustar. Em "Tubarão", uma jovem entra no mar durante a noite, acreditando estar segura. Aos poucos, a tranquilidade é quebrada pelo tema musical de John Williams, que acelera conforme o perigo se aproxima.

A câmera subaquática, somada ao ataque invisível, faz o público imaginar o horror debaixo d’água. Essa escolha simples, porém eficaz, mudou para sempre a forma como o cinema lida com o suspense.

Pulp Fiction (1994)

O filme abre em um restaurante aparentemente comum, onde um casal conversa sobre crimes com a naturalidade de quem discute o cardápio. A troca de ideias parece apenas mais uma conversa excêntrica, até que, em um estalo, a atmosfera muda e eles se levantam e anunciam um assalto.

Acontece que, antes que a ação avance, a cena é interrompida por créditos explosivos embalados pelo som animado do surf rock. Esse corte abrupto quebra qualquer expectativa e já deixa claro que Tarantino conduzirá a trama com ironia, ousadia e violência estilizada.

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Pânico (1996)

O filme de Wes Craven surpreendeu o público logo nos primeiros minutos ao colocar Drew Barrymore, uma das atrizes mais populares da época, como protagonista de uma cena angustiante. Sozinha em casa, sua personagem atende a um telefonema aparentemente inofensivo. Do outro lado da linha, uma voz masculina brinca com perguntas sobre filmes de terror, em um tom leve que rapidamente ganha contornos sinistros.

Em determinado momento, o desconhecido revela estar observando cada movimento da jovem, transformando o jogo em uma armadilha sádica. Então, o que começa como uma cena de suspense vira um completo pesadelo, culminando em um ataque cruel e inesperado que, para o choque da audiência, elimina a personagem antes mesmo dos créditos iniciais.

Pode-se dizer que essa escolha ousada abalou as convenções do gênero. Ao descartar tão cedo uma estrela do calibre de Barrymore, Craven deixa claro que, em "Pânico", ninguém está a salvo.

Não à toa, essa abertura se tornou um marco cultural, referência direta em dezenas de outras produções e símbolo da reinvenção do horror adolescente nos anos 90.

2001: Uma Odisseia no Espaço (1968)

A abertura de "2001: Uma Odisseia no Espaço" é incomum desde o primeiro segundo. O filme começa com a tela completamente preta e a trilha sonora de György Ligeti, "Atmosphères". Durante vários minutos, o espectador não vê nada e apenas ouve a música. Em seguida, surgem imagens da Terra, a Lua e o Sol alinhados, em um movimento lento e hipnótico. O uso do silêncio e da música orquestral cria uma atmosfera solene, como se estivéssemos prestes a presenciar algo grandioso.

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Logo depois, entramos em uma longa sequência ambientada na pré-história, chamada “A Aurora do Homem”. A câmera mostra paisagens áridas e grupos de hominídeos disputando água e comida. Em certo momento, um monólito preto aparece entre eles, despertando estranhamento e curiosidade. É aí que um dos primatas descobre como usar um osso como ferramenta e arma, batendo em carcaças e depois em outros grupos. Isso tudo ao som da música clássica “Also sprach Zarathustra”, de Richard Strauss.

A cena termina com ele jogando o osso para o alto, e esse objeto girando no ar dá lugar, num corte direto, a uma nave espacial orbitando a Terra. É uma das transições mais famosas do cinema.

Kill Bill: Volume 1 (2003)

Tudo começa com a tela preta e a respiração ofegante de uma mulher. Em seguida, vemos o rosto machucado da Noiva, interpretada por Uma Thurman, coberto de sangue. Ela está caída no chão, em silêncio, completamente vulnerável. A voz de Bill ecoa fora da tela, em tom calmo, mas ameaçador, enquanto limpa o rosto dela com um lenço. Então, sem qualquer aviso, ele atira e a tela corta para o título do filme, em letras grandes, acompanhado de uma explosão sonora da trilha.

Depois disso, entram os créditos iniciais ao som de “Bang Bang (My Baby Shot Me Down)”, de Nancy Sinatra. A música melancólica, combinada com o visual em preto e branco, prepara o terreno para um filme com muita violência, emoção e estilo.

O Iluminado (1980)

A abertura de "O Iluminado" é inquietante já nos primeiros segundos. A câmera sobrevoa uma estrada sinuosa em meio a uma paisagem montanhosa, enquanto um carro amarelo segue solitário rumo ao desconhecido. A trilha sonora, grave e ameaçadora, contrasta com a beleza natural do cenário, criando um clima de tensão mesmo sem que nada de “estranho” esteja acontecendo ainda.

À medida que o helicóptero acompanha o veículo por florestas e penhascos, a sensação de isolamento aumenta. Não há diálogos, apenas o som perturbador que parece anunciar que algo sinistro está prestes a acontecer.

O destino da viagem é o Hotel Overlook, que surge de forma imponente no meio das montanhas. A escolha de apresentar o local desse jeito enorme, distante e cercado por neve mostra logo de cara que ele será parte ativa do que está por vir.

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Cidade de Deus (2002)

Para fechar a lista, selecionamos um clássico nacional: "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles e Kátia Lund.

A primeira imagem aqui é uma faca sendo afiada em alta velocidade, com cortes rápidos mostrando galinhas sendo preparadas para um churrasco no morro. A montagem mostra mãos cortando cebola, frituras estalando no óleo, batucadas ao fundo. Em meio a esse cenário comum, uma galinha escapa e o que parece um detalhe banal se transforma numa perseguição caótica pelas vielas da favela.

A câmera corre atrás da ave em meio a crianças armadas, barracos e ruas apertadas, criando um contraste entre a simplicidade do momento e a tensão no ar.

Enquanto isso, somos apresentados a um jovem chamado Buscapé, que acaba ficando no meio da confusão. A galinha, desesperada, para bem diante de um grupo de criminosos armados liderados por Zé Pequeno. A situação fica tensa, e é nesse instante que Buscapé surge em close e diz: “Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come.” Em seguida, o filme corta para um flashback e começa a mostrar como ele chegou até ali.

Essa abertura, além de contar com uma montagem e um estilo visual de tirar o chapéu, também impressiona ao nos jogar direto no coração da violência urbana, sem aviso prévio.

  • Caio Póvoa

    Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Goiás. Possui também título de Mestre em Engenharia Elétrica e de Computação pela Escola de Engenheira Elétrica, Mecânica e de Computação-EMC UFG.

    Por meio da escrita, compartilha conhecimentos e orientações práticas com foco em cultura geek, áreas da ciência, tecnologia e temas relacionados.

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