Entre 2010 e 2020, muita coisa mudou no jeito de fazer comédia para a TV. As sitcoms, que antes seguiam uma fórmula mais simples e descontraída, passaram a brincar com formatos diferentes e a trazer temas mais atuais para o centro da conversa. No lugar de tramas previsíveis, surgiram histórias que misturam humor com algumas reflexões sobre o mundo.
No meio dessa onda criativa, algumas séries conseguiram nos conquistar. Por isso, hoje relembraremos quatro dessas produções que ajudaram a redefinir a comédia na última década e que todo mundo deveria assistir pelo menos uma vez na vida.
The Good Place
E se o pós-vida fosse uma comédia filosófica?
Imagine acordar no além e descobrir que você foi parar no “Lugar Bom”, mas com uma pequena chance de isso ser um erro administrativo. Assim começa “The Good Place”, uma das comédias mais originais da década.
Criada por Michael Schur, a série acompanha Eleanor Shellstrop (Kristen Bell), uma mulher que tenta merecer o seu lugar no paraíso fingindo ser uma boa pessoa… enquanto aprende filosofia moral.
O diferencial da série está em como ela consegue ensinar conceitos éticos complexos com leveza e carisma. Entre dilemas morais, plot twists e piadas inesperadas, o público se vê refletindo sobre escolhas, arrependimentos e segundas chances.
O elenco diverso, os cenários surreais e o ritmo ágil transformaram a série em um fenômeno cult.
No fim, a série entrega muito mais do que comédia. Sua despedida emociona ao propor uma reflexão honesta sobre o sentido da existência, sem recorrer a frases de efeito ou soluções mágicas. É uma daquelas produções que surpreendem, divertem e encantam até o último segundo.
LEIA MAIS: 7 falhas que você vai encontrar em filmes modernos da Disney
BoJack Horseman
Poucas animações conseguiram quebrar tantas barreiras quanto “BoJack Horseman”. Lançada pela Netflix em 2014, a série acompanha a vida de uma ex-estrela de sitcom dos anos 90 (que por acaso é um cavalo antropomórfico) tentando lidar com fama decadente, relacionamentos fracassados e crises existenciais.
Ao contrário do que se espera de uma animação, “BoJack” é carregada de sarcasmo, melancolia e silêncios incômodos. Alguns episódios praticamente não têm falas. Outros brincam com a lógica da linguagem audiovisual. Tudo isso reforça um estilo ousado que convida o espectador a sair da zona de conforto.
BoJack não é herói nem vilão, mas sim uma figura complexa; um cavalo carregado de traumas, vícios e escolhas ruins.
Não espere respostas fáceis nem finais felizes prontos na série. Em vez disso, a série deixa perguntas no ar sobre culpa, perdão, fama e identidade. É um convite para rir e pensar, ao mesmo tempo.
LEIA MAIS: Que rápido! ‘Superman’ (2025) chega à HBO Max nesta semana
Brooklyn Nine-Nine
Quem imaginaria que uma comédia policial conseguiria equilibrar piadas rápidas, personagens carismáticos e alguns debates importantes? Pois foi isso que “Brooklyn Nine-Nine” fez com maestria ao longo de suas oito temporadas.
A série, situada em uma fictícia delegacia do Brooklyn, acompanha a rotina de detetives como Jake Peralta (Andy Samberg), Rosa Diaz (Stephanie Beatriz) e o capitão Holt (Andre Braugher).
De tom leve, bem-humorado (às vezes até um pouco bobo demais), a série nunca fugiu de assuntos sérios. Racismo institucional, representatividade LGBTQIA+ e desigualdades dentro do sistema de justiça são alguns tópicos que aparecem com naturalidade, sem didatismo. Mas sem abrir mão de seu ritmo acelerado e roteiros bem amarrados.
Um dos trunfos da série é o entrosamento entre os personagens. Cada integrante da equipe tem espaço para brilhar, com momentos de vulnerabilidade, crescimento e afeto.
Prepare-se para muitas piadas nonsense e várias situações absurdas…
Silicon Valley
Ambientada no Vale do Silício, a série mostra um grupo de desenvolvedores tentando transformar uma ideia promissora em uma startup de sucesso. Mas entre investidores gananciosos, empresários excêntricos e dilemas éticos, o sonho do sucesso vira uma montanha-russa caótica e muito, mas muito, engraçada.
“Silicon Valley” acerta ao satirizar o mundo da tecnologia com precisão cirúrgica. Os personagens, como o inseguro e ansioso Richard Hendricks (Thomas Middleditch) e o egocêntrico Erlich Bachman (T.J. Miller), representam arquétipos facilmente reconhecíveis para quem já ouviu falar em “unicórnios”, “big data” e “disrupção”.
Só que o roteiro vai bastante além da caricatura, dando espaço para ironia, crítica social e questionamentos reais sobre até onde vale a pena ir em nome da inovação e do dinheiro.
Ao longo de suas seis temporadas, a série constrói tramas extremamente divertidas e, ao mesmo tempo, incômodas, que muitas vezes te deixam com aquele sentimento amargo de como o sistema pode ser injusto. Ela mostra que por trás das ideias geniais e slogans bonitinhos, existem vaidades, falhas humanas e uma boa dose de sorte (ou azar).
“Silicon Valley” é uma sátira ácida para quem gosta de rir e entender um pouco sobre a cruel e fascinante realidade das startups e grandes empresas de tecnologia.
LEIA MAIS: Romance policial mais vendido da história é de 1939, de Agatha Christie; conheça!
